O mercado à velocidade da luz e a relatividade da TI

Bem vindos ao “novo” normal: a incerteza

Por Michael Hay, Vice-Presidente Global de Planejamento de Produtos da Hitachi Data Systems*

Primeiras considerações

Este texto tem intenção de explorar e explicar algumas das mudanças dramáticas pelas quais estão passando os mercados de Tecnologia da Informação. No nível macro, o que eu estou testemunhando são alterações de linguagem, traduzindo uma maneira fundamentalmente diferente de conceber, desenvolver, implantar, gerenciar e desativar aplicações. E, claro, ouvimos constantemente que a linha de negócios, incluindo os CMOs, são o lugar onde as coisas estão acontecendo, mas por que é assim? Para além disso, os provedores de nuvem pública estão ajudando, prejudicando ou catalisando a mudança?

Introdução
Na semana passada, eu vi o filme de Christopher Nolan, Interestelar, e fiquei impressionado. Eu sei que esse filme já foi lançado há muito tempo, e depois de uma nova e maravilhosa adição à nossa família, agradeço à minha esposa por poder ver esse filme na telona. Então, para aqueles que disserem que cheguei tarde à festa, estão certos, e tudo bem. As reflexões do filme sobre a dilatação relativística do tempo me fizeram realmente questionar a afirmação que tenho ouvido nos últimos tempos: “O mercado de TI está evoluindo mais rápido que em qualquer momento de minha carreira”. Neste caso, o “minha” se refere a qualquer um, e a frequência com que se ouve essa frase vem aumentando. Sendo um engenheiro e um cientista enrustido – pelo menos com os meus experimentos mentais – eu sou em geral cético, e dessa forma é curioso pra mim que essa afirmação seja, de fato, verdadeira. Acima de tudo, o filme me fez imaginar se nós, como gestores de TI, estamos experimentando um caso de alguma anomalia temporal derivada da situação do observador. Digo isso por que estou a par de alguns estudos, e escrevo sobre eles, que dizem que o envelhecer promove a percepção de mais coisas acontecendo no mesmo quadro temporal, de modo que se ganha a impressão de que as coisas andam mais rápido. Uma faceta chave desse estudo é que as pessoas com vinte anos tendem a perceber e reportar a passagem do tempo mais próxima do padrão de 60 segundos por minuto. Enquanto isso, as pessoas com 60 anos e mais tendem a reportar durações de tempo mais longas que o padrão: um minuto foi reportado como ligeiramente mais que 73 segundos por pessoas dessa idade. Não é preciso muita reflexão para ver que, subjetivamente, os mais jovens tendem a ter experiências de tempo menos densas do que os mais velhos. Na verdade, é quase como se as pessoas de vinte anos se movimentassem à “velocidade da luz do mercado” com uma experiência adequada do tempo, e os mais velhos experimentassem uma experiência de tempo inercial. Portanto, ao pensar nisso não somos capazes de refutar a noção segundo a qual talvez o mercado esteja se movendo à velocidade à qual sempre se move, e apenas devido ao envelhecimento pensamos que está indo mais rápido. Não terminei, porém, de explorar esta questão, pois acredito que, se olharmos para fora do mercado de TI descobriremos que, pelo menos de modo subjetivo, existe uma aceleração de eventos incertos e em frequente mutação.

Bem vindos ao “novo” normal: a incerteza
Se olharmos globalmente, acredito que poderemos começar a entender por que as coisas são percebidas como movendo-se a uma velocidade acachapante: existe uma horrível quantidade de turbulência, e como a noção da dilatação do tempo, mais turbulência observada por unidade de tempo leva pelo menos à percepção de aceleração. Aqui estão alguns exemplos tangivelmente abstratos de turbulências: múltiplas moedas flutuando seriamente, economias se expandindo, economias com problemas, escândalos movidos a hackers, há conflito mais do que suficiente para todos, doenças, novidades dramáticas do mundo corporativo, e por aí vai. Em resumo, eu penso que o mundo está se movendo para uma fase na qual a turbulência é alta e a certeza, rara, e por isso a incerteza é o “novo normal”. Se ficarmos com essa noção de incerteza como um dado, acho que em breve veremos que em tempos incertos as organizações, empresas, indústrias, verticais e indivíduos estão todos tentando descobrir novos jeitos de se engajar com seus mercados relevantes e respectivos.

Nós vemos isso definitivamente no setor de TI, no qual os fornecedores tradicionais de TI estão sendo estremecidos por vendedores varejistas e publicitários, Integradores ou Consultores de Sistemas por empresas de TI, empresas de software de Open Source, equipes de TI por provedores de SaaS, fornecedores de hardware por vendedores de componentes. Basicamente, a minha hipótese é que o setor de TI não é nada mais que uma reflexão de um fenômeno multi-indústria, multinacional, bem, multi-tudo. Mais uma vez, pode-se ver por meio desses exemplos tangivelmente abstratos que há mais do que a simples reflexão, há também o fortalecimento do Novo Normal. Eu gostaria de observar agora um exemplo prático que tenho utilizado bastante durante as Festas de fim de ano: pagamentos digitais / móveis. Essencialmente, a indústria do cartão de crédito e a Apple, com o ApplePay, são uma grande ilustração de uma mudança fundamental ocorrendo diante de nossos olhos. No espírito de fortalecer o Novo Normal, vários varejistas parecem estar desafiando as empresas de cartões de crédito, a Apple e os esquemas tradicionais de pagamento; ainda assim, a Apple deu uma nova arma à Visa, à MasterCard e à American Express. Sendo um usuário do ApplePay e nunca tendo visto a sua rival, o CurrentC, conquistar a luz do Sol, penso que talvez a Apple tenha alguma razão. Ao mesmo tempo, os varejistas estão provavelmente olhando para, além de eliminar taxas de transação, juntar uma inteligência super valiosa sobre o consumidor, tal como os seus padrões de compra, para gerar mais receitas e lucros. Já tendo, há muito tempo, entregado a minha privacidade a vários programas de fidelidade, eu fico um pouco com o pé atrás quando vejo varejistas ganhando ainda mais influência sobre o que eu vou comprar em seguida. Francamente, eu gostaria de ver a Apple e a indústria dos cartões de crédito ganhar no campo de batalha comercial, e deixe que elas compitam com rivais de verdade como uma rede de pagamento centrada na BitCoin. Entretanto, a turbulência vem de empresas estabelecidas como a PayPal – cujos cartões de crédito funcionam com o ApplePay –, mais redes de pagamento baseadas em ApplePay, CurrentC e, pelo menos, BitCoin. Para mim, isso significa que estamos prestes a testemunhar uma briga de galos no mercado, com um resultado incerto.

Perguntas que Fazem Pensar
Como estamos nos desenvolvendo para lidar com a Incerteza?
Existem novas categorias de aplicações sendo desenvolvidas, e caso positivo, como se chamam?
Temos que ter todas as respostas ao iniciar um desenvolvimento, e que efeito faz eliminar essa obrigação?

Até a próxima!

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