Será que a computação em nuvem sobreviverá à Internet das Coisas?

Por Michael Hay, Vice-Presidente Global de Planejamento de Produtos da Hitachi Data Systems*

Reflexões

A computação em nuvem e a Internet das coisas são forças a se considerar? Poderiam existir casos nos quais a Internet das Coisas tornaria a computação em nuvem obsoleta?

No caso da computação em nuvem, pontos convincentes podem ser encontrados na escala das várias medidas que podem fazer com que consideremos que a resposta as perguntas acima sejam ‘sim’. Notavelmente, o consumo de energia estimado da Microsoft equivale ao de uma cidade pequena, e a escala de produção maior do que todos os filmes jamais produzidos ilustram que a computação na nuvem é, de fato, uma força. E mesmo que a Internet das Coisas (IoT) esteja em intensa evolução, pode-se sentir o peso da IoT todos os dias. Desde acender uma lâmpada na praia até o desvendar de mistérios do universo, a IoT já está entre nós está crescendo. Talvez uma visão melhor da velocidade do movimento da IoT esteja na disponibilidade das tecnologias de fitness capazes de serem vestidas e dispositivos móveis flexíveis, como o iPhone ou o novo iWatch (porque será que sempre acabamos por usar a Apple como exemplo?!)

Na verdade, a computação em nuvem e a Internet das coisas demonstram possuir uma alta velocidade de mercado e aparecem de modo generalizado na vida cotidiana de qualquer um. As duas podem ser consideradas “forças”? “Força” significa de uma forma geral energia como um atributo de um movimento, e em todas as medidas citadas sobre a computação em nuvem e a Internet das Coisas, o crescimento de mercado ou movimento são aparentes. Logo, eu afirmo que ambas são forças. E quanto à segunda pergunta: poderiam existir casos em que a Internet das coisas faz da computação em nuvem um fenômeno obsoleto? A resposta para esta pergunta é complexa, mas ela começa com a tese de Carr sobre a capacidade da computação em nuvem ser semelhante ao fornecimento de energia. Talvez um jeito de revelar uma resposta para esta pergunta irá aparecer por meio de uma exploração de arquiteturas físicas e futuros das empresas de produção e distribuição de energia elétrica.

Desenvolvimento da Rede Elétrica Norte Americana
Nos Estados Unidos, a indústria da energia elétrica se iniciou em 1882 com a eletrificação, por Thomas Edison, de uma parte de Nova Iorque. Na condição de indústria que persistiu por mais de 130 anos, ela passou por mudanças significativas. Hoje em dia, a arquitetura da rede elétrica é constituída de forma geral pela geração centralizada, transformação, redes de transmissão, subestações de transmissão, redes de distribuição e, finalmente, a carga dos consumidores de energia. Relatórios acadêmicos e da própria indústria demonstram que os investimentos em transmissão e distribuição, em particular, estão anêmicos.

“Ao mesmo tempo que a demanda explodiu pelo teto, tem havido um subinvestimento crônico na transmissão da energia para onde ela precisa ir por meio de transmissão e distribuição, limitando ainda mais a eficiência e a confiabilidade da rede. Enquanto centenas de milhares de linhas de transmissão de alta voltagem cruzam os Estados Unidos, apenas 668 milhas adicionais de transmissão interestadual foram construídas desde o ano 2000. Como resultado, as limitações do sistema estão ficando piores, em uma época na qual se estima que os blackouts e problemas com a qualidade da energia venham a custar mais do que 100 bilhões de dólares em média a cada ano para empresas americanas.” Qualquer semelhança com o Brasil?!

De acordo com o Ministério da Energia americano, a solução para o subinvestimento em transmissão e distribuição não são investimentos adicionais em redes de grande alcance, mas na transformação de um sistema de rede inteligente “menos centralizado e mais interativo com os consumidores”. Parece que empresas como a Apple, o Facebook e a Microsoft reconheceram este fato e estão investindo por conta própria, de acordo exatamente com esse padrão. Essas empresas parecem estar desenvolvendo uma mistura de produção local com datacenters super eficientes no consumo de energia elétrica, e posicionando-se de forma inteligente no interior da rede elétrica mais próximas da geração de energia. Portanto, parece que a indústria da energia elétrica, pelo menos nos EUA, está se movendo na direção oposta da centralização de massa. A direção aparente combina produção centralizada com produção distribuída e sistemas mais inteligentes via rede inteligente. Um exemplo é o novo campus proposto pela Apple em Cupertino, Califórnia, onde eles pretendem utilizar a rede de energia que distribui energia de fontes centralizadas tradicionais como um “backup”. Movimentos gerais no sentido de investir em redes inteligentes como um pressuposto de investimentos anêmicos na rede de distribuição pode se mostrar relevantes para a combinação da computação em nuvem e a internet das coisas.

Conclusões
De fato, os exemplos citados acima da IoT parecem já pressupor a rede como um ponto de contenção. Provavelmente, é por isso que existem construções como a Hue gateway, processando a bordo de 787s, e o gerenciamento de dados distribuído próximo de telescópios. Essencialmente, parece haver uma percepção, com as atividade atuais daC, que todos os dados não podem ser empilhados e processados por plataformas centralizadas de computação na nuvem hospedadas remotamente e acessíveis pela internet. Se é esse o caso, este autor gostaria de voltar à premissa fundamental do artigo: a Internet das coisas implica no fim da computação em nuvem? Se olharmos novamente para a definição escolhida para a computação em nuvem, descobriremos que a implementação de uma plataforma não significa necessariamente acessibilidade pela Internet. Em vez disso, a definição afirma que é necessário “o acesso de rede on-demand a um pool compartilhado de recursos de computação configuráveis”. [4] Isso sugere que implementações de nuvem poderiam ocorrer quase em qualquer lugar e em qualquer escala, incluindo no interior de um avião ou próximo de radiotelescópios. No entanto, é provável que a hipótese de Carr não possa ser aceita como verdadeira. Isso porque Carr implica que a computação em nuvem irá deslocar a Tecnologia da Informação para fora de data centers locais para mega data centers de nuvem exatamente como uma empresa de energia totalmente centralizada. Dados a mudança da indústria da energia elétrica para redes inteligentes descentralizadas e os sinais recentes de que a IoT está adotando padrões de gateway, a hipótese de Carr precisa de alguns ajustes. Para clarificar as mudanças que ocorrerão com a computação em nuvem quando a IoT ficar ainda mais prevalente, a definição do NIST precisa ser modificada. Nesse espírito, eu gostaria de propor a seguinte definição revisada – e percebam que as palavras tachadas e coloridas em vermelho são utilizadas para expor de modo intencional a diferença para com a definição do NIST.
A computação em nuvem é um modelo que tem o propósito de possibilitar o acesso de rede on-demand, conveniente e de qualquer lugar a um pool compartilhado de computação configurável (por exemplo, redes, servidores, armazenamento, aplicações e dispositivos) e recursos de dados (por exemplo, dados de sensores, imagens, dados de som etc.). No qual os recursos de computação podem ser gerenciados rapidamente provisionados e liberados com esforço mínimo de gerenciamento ou interação com o provedor de serviços, e as fontes de dados podem ser adquiridas rapidamente com mínimo impacto sobre a rede. Este modelo de nuvem é composto por cinco características essenciais, três modelos de serviços e quatro modelos de implantação.

Essas mudanças relativamente pequenas na definição devem dar conta de um futuro no qual a IoT desempenha um papel mais importante. No entanto, tenho um humilde conselho a oferecer ao Carr: talvez esteja na hora de uma segunda edição.

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